Era uma cidade pequena onde boatos viravam notícias, e estas corriam a boca e a mente de todos seus moradores. Sinead era uma jovem garota exausta pela vida, com seus apenas 27 anos, era comentada pela cidade por aparentar o dobro, ou talvez o triplo. Morava em uma pequena casa de madeira, com cômodos apertados e desconfortáveis mas eram de seu agrado, pois gostava do calor que a casa proporcionava em tempos de frio, os quais eram frequentes em sua cidade.
Em uma das longas noites em que ela tentava sem sucesso pegar no sono, algo diferente aconteceu, a princípio um som que parecia de metal retorcendo-se. Sinead com medo, abre lentamente seus olhos e caminha até a porta do quarto, com seus pés descalços no chão de madeira, sente um arrepio passar pelas suas costas. Percebe que o ruído não vem do lado de fora de sua casa, mas sim de dentro do seu quarto. Ela se pergunta de onde veio tal som, e para onde foi? Caminha novamente para a cama quando ouve novamente o som, e desta vez sente que está muito perto.
Ao virar-se, sente-se sonolenta e tonta por alguns segundos, teme que possa desmaiar e segura-se nos móveis para permanecer em pé. Logo, Sinead sente um calafrio que passa em seu corpo, partindo de suas mãos até a ponta de sua espinha, um calafrio que traz consigo uma enorme sensação de prazer. Ao virar-se para o espelho, vê sua imagem refletida, porém parece diferente, está bonita, alegre, elegante e sedutora.
- Você quer ser como eu Sinead? - Pergunta a imagem no espelho.
Sinead cogita a questão por alguns segundos, está confusa e com medo, mas também está atraída pela ideia, e excitada pelo estranho sentimento sedutor de ser bonita e atrativa, tal como aquela imagem.
- Sim. - Responde Sinead sem ao menos perguntar o que era tudo aquilo, quem era por trás daquela imagem e o mais importante, qual era o preço em troca do que ela oferecera.
- Aproxime-se do espelho, toque-me. - Diz a imagem.
Sinead mesmo com medo, se aproxima lentamente do espelho, sentindo uma leve brisa quente vinda dele. Logo ela sente que uma mão delicada como seda toca sua coxa, era a mão de sua imagem a qual passeava pelas curvas de seu corpo. Sentia que por onde aquela delicada mão passava, a pele se renovava tomando um tom róseo, e suas curvas mais torneadas e esbeltas. Ao olhar para si, Sinead se depara com uma linda mulher, sem as olheiras antes lhe colocadas pelas noites mal dormidas, sedutora e extravagante, totalmente o contrário do que sempre foi. Ela caminha em direção a porta deixando o espelho de lado, observando como tudo a sua volta que parecia morto, agora lhe inspirava tanta sensualidade e desejo.
Após colocar uma roupa elegante e confortável, Sinead olha-se novamente no espelho, ao fazer isso depara-se com a moça desengonçada, sem curvas e de olheiras, a que era minutos atrás, e então ela finalmente compreende o preço da mudança, ao aceitar de bom grado as vantagens que adquiriu, deixou para trás características suas, tais como seus sentimentos e sua percepção do mundo.
Ela sai para fora de casa, tendo a certeza que naquele espelho deixou tudo o que possuía, parecia uma troca justa tendo em vista as boas mudanças, mas no fundo de seu coração ela tinha certeza que deixara para trás a única coisa que lhe acompanharia pela vida toda, e por este motivo se sentia mais vazia do que antes.
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