sexta-feira, 13 de maio de 2011

Report #5 - De Mãos Dadas Rumo à Nascente dos Sonhos

Observava tudo através dos olhos de uma criança, andando de mãos dadas com o desconhecido, sem deixar rastros nem pegadas por onde passava.
- Para onde vamos? - Perguntou a criança ao misterioso homem que segurava sua mão.
- Estamos indo em direção ao esquecimento. - Disse o homem misterioso, de vestes negras como a noite.
- Vou gostar de lá? - Diz a criança com seus grandes olhos azuis o olhando nos olhos, com um sorriso singelo no rosto.
- Irá sim, é um ótimo lugar para descansar. - Responde o misterioso homem de olhos verdes, com um breve sorriso.
Andavam juntos, e quanto mais o tempo passava e a caminhada perdurava, mais a criança segurava firme na mão daquele homem.
- Está ficando escuro. - Diz a criança, apertando firme a mão do homem, aparentando medo nos olhos.
- Está ficando escuro pois você está cansado, logo você estará dormindo. - Responde o homem, que observa a criança cair rapidamente em sono profundo. Rapidamente a pega e a carrega nos braços, até que avista uma árvore com raízes grandes e robustas, e coloca o menino dormindo em uma destas raízes.
- O mundo não é lugar para uma criança como você, é um lugar frio e terrível, onde você não sobreviveria. - Diz o homem ajeitando a criança sobre a grande raiz exposta sobre a terra. - Aqui estará seguro quando o selo for removido, esta é a árvore onde os sonhos nascem, é dela que vem a esperança e a fé.
O homem vira-se e caminha lentamente, deixando a criança e a árvore para trás.
- Uma guerra irá começar, não posso correr o risco que você se machuque. - Diz o homem avistando a árvore com o canto dos olhos, a qual afasta-se lentamente do seu ângulo de visão a medida que caminha.
Na raiz elevada pouco acima da terra, o menino dorme um sono profundo, alimentado pelos sonhos e pela esperança daquela grande árvore. Seus medos apesarem de ainda estarem presentes, não mais o afetam nem o alcançam.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Report #4 - Os Céus Mandam um Sinal

Com a alma em fogo, cruzando os céus como um grande meteoro que acabara de entrar na atmosfera, um anjo cruza os céus com uma espada em suas mãos, aparentando estar apressadamente indo para a guerra. Aos sete ventos do destino ele brada palavras de consolo, e ao mesmo tempo de medo e desatino.
- Os céus virão abaixo, como a grande babilônia, e tal como os filhos dela cairam, todos os de coração impuro e alma escura cairão. Este é o primeiro ai, e os outros ais virão da boca do que tentar parar a ira divina, pois até hoje o tempo foi um só, mas a partir de agora tudo que existe passa pelo tempo predestinado, quando o anjo adormecido acordou e removeu o selo, e a criança guardiã foi colocada para dormir.
O anjo repousa sobre um vale, e ao tocar a ponta de um dos pés na terra umedecida daquele lugar, disfere um golpe com a espada dividindo o vale em dois, mostrando um grande abismo.
- Reidriel, seu comportamento foi inaceitável. - Resmunga o anjo observando o grande abismo engolir tudo a sua volta. - Mais uma vez os céus precisam intervir na vida humana, que lástima.
O anjo observa tudo sendo engolido e o abismo crescendo, tendo a certeza que fez o melhor, porém mesmo sabendo disso nada o impede de fazer um minuto de silêncio.

Report #3 - Uma Chamada para o Desconhecido

Era uma cidade pequena onde boatos viravam notícias, e estas corriam a boca e a mente de todos seus moradores. Sinead era uma jovem garota exausta pela vida, com seus apenas 27 anos, era comentada pela cidade por aparentar o dobro, ou talvez o triplo. Morava em uma pequena casa de madeira, com cômodos apertados e desconfortáveis mas eram de seu agrado, pois gostava do calor que a casa proporcionava em tempos de frio, os quais eram frequentes em sua cidade.
Em uma das longas noites em que ela tentava sem sucesso pegar no sono, algo diferente aconteceu, a princípio um som que parecia de metal retorcendo-se. Sinead com medo, abre lentamente seus olhos e caminha até a porta do quarto, com seus pés descalços no chão de madeira, sente um arrepio passar pelas suas costas. Percebe que o ruído não vem do lado de fora de sua casa, mas sim de dentro do seu quarto. Ela se pergunta de onde veio tal som, e para onde foi? Caminha novamente para a cama quando ouve novamente o som, e desta vez sente que está muito perto.
Ao virar-se, sente-se sonolenta e tonta por alguns segundos, teme que possa desmaiar e segura-se nos móveis para permanecer em pé. Logo, Sinead sente um calafrio que passa em seu corpo, partindo de suas mãos até a ponta de sua espinha, um calafrio que traz consigo uma enorme sensação de prazer. Ao virar-se para o espelho, vê sua imagem refletida, porém parece diferente, está bonita, alegre, elegante e sedutora.
- Você quer ser como eu Sinead? - Pergunta a imagem no espelho.
Sinead cogita a questão por alguns segundos, está confusa e com medo, mas também está atraída pela ideia, e excitada pelo estranho sentimento sedutor de ser bonita e atrativa, tal como aquela imagem.
- Sim. - Responde Sinead sem ao menos perguntar o que era tudo aquilo, quem era por trás daquela imagem e o mais importante, qual era o preço em troca do que ela oferecera.
- Aproxime-se do espelho, toque-me. - Diz a imagem.
Sinead mesmo com medo, se aproxima lentamente do espelho, sentindo uma leve brisa quente vinda dele. Logo ela sente que uma mão delicada como seda toca sua coxa, era a mão de sua imagem a qual passeava pelas curvas de seu corpo. Sentia que por onde aquela delicada mão passava, a pele se renovava tomando um tom róseo, e suas curvas  mais torneadas e esbeltas. Ao olhar para si, Sinead se depara com uma linda mulher, sem as olheiras antes lhe colocadas pelas noites mal dormidas, sedutora e extravagante, totalmente o contrário do que sempre foi. Ela caminha em direção a porta deixando o espelho de lado, observando como tudo a sua volta que parecia morto, agora lhe inspirava tanta sensualidade e desejo.
Após colocar uma roupa elegante e confortável, Sinead olha-se novamente no espelho, ao fazer isso depara-se com a moça desengonçada, sem curvas e de olheiras, a que era minutos atrás,  e então ela finalmente compreende o preço da mudança, ao aceitar de bom grado as vantagens que adquiriu, deixou para trás características suas, tais como seus sentimentos e sua percepção do mundo.
Ela sai para fora de casa, tendo a certeza que naquele espelho deixou tudo o que possuía, parecia uma troca justa tendo em vista as boas mudanças, mas no fundo de seu coração ela tinha certeza que deixara para trás a única coisa que lhe acompanharia pela vida toda, e por este motivo se sentia mais vazia do que antes.